Tenho em mim esse rasgo de nascença.
Uma fenda entre as pernas.
Têm dias que sangro antes do sol,
E me escorre entre joelhos e pés, dor e cansaço.
No silêncio farfalha uma fome sem data.
Tenho em mim esse rasgo de nascença,
Uma fenda entre as pernas.
Nunca me foram necessárias santas.
Por demais, o grito.
A voz, em punho, na cor das ruas.
Não sou mulher,
Sou mulheres!

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