O convencimento de um amor titulado de "amor camaradagem".
Um amor dentro de uma sociedade que tem seus meios de produção apropriados pela classe burguesa.
Um amor que em meio as contradições se coloque em sua total plenitude de exercer seu único sentido de existência no verbo amar.
Que ele passe longe da ideia de propriedade, que passe longe dos conflitos impulsionados por todas as contradições de um sistema escroto que nos estimula a fazer de nossas vidas uma extensão de sua forma mais escrota de lhe dar com as relações.
Que eu vá até esse amor, e que ele venha até mim. Que nos encontremos todos os dias, e que o ontem fique esquecido quando for fazer mal, e que apenas seja lembrado quando for para pensar no que não mais fazer para que possamos enfim, simplesmente amar.
Amar, e simplesmente amar!
"Quanto mais numerosos são os fios tendidos entre as almas, entre os corações e as inteligências, mais solidamente se enraíza o espírito de solidariedade, e mais fácil resulta a realização do ideal da classe operária: a camaradagem e a unidade.
(...) O fato de que o amor seja multiforme não está em contradição com os interesses do proletariado. Ao invés, facilita o triunfo desse ideal de amor nos relacionamentos entre os sexos que já está tomando forma e cristalizando no seio da classe operária. Trata-se precisamente do amor-camaradagem.
A humanidade patriarcal imaginou o amor sob a sua forma de afeto consanguíneo (amor entre irmãos e irmãs, amor pelos pais). A antiga antepunha a tudo, o amor-amizade. O mundo feudal elevava à categoria de ideal ao amor "platónico" do cavalheiro, amor independente do casal e que não levava consigo a satisfação da carne. O ideal de amor da moral burguesa era o amor conjugal, o casal legítimo.
O ideal de amor da classe operária, que se deriva da cooperação no trabalho e da solidariedade de espírito e de vontade dos membros dessa classe, homens e mulheres, se distingue naturalmente, tanto pela forma como pelo conteúdo, das noções de amor próprias de outras épocas culturais.
(...) O amor-camaradagem é o ideal que precisa o proletariado no período cheio de responsabilidades e dificuldades em que luta por estabelecer e afirmar sua ditadura. Mas não há dúvida de que, quando a sociedade comunista seja já uma realidade, o amor, "Eros de asas despregadas", se apresentará baixo uma feição completamente renovada, completamente desconhecido para nós. Nesse momento, os "laços de simpatia" entre todos os membros da sociedade nova, se terão desenvolvido e afirmado, a "capacidade amorosa" será bem mais alta e o amor-solidariedade terá um papel de motor análogo ao da concorrência e do amor-próprio na sociedade burguesa?"
Alexandra Kollontai
Indico leitura do blog: "Diário Liberdade"
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